Para além do deserto



Para além do deserto

Padre Léo, SCJ


Não existe nenhum problema que não tenha solução. É preciso buscar no lugar certo. Se você buscar “chifre em cabeça de cavalo” vai levar coice. Mergulha o problema em Deus, saia do deserto, saia dessa vidinha que não vale a pena viver.

Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça. Pois a Lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu Deus. O filho único que está no seio do pai, foi quem o revelou (Jô 1, 16-18). 

Esse trecho do Evangelho é o resumo de toda a Bíblia. São João meditou durante sessenta anos pra escrever o Evangelho. E quando ele foi escrever o Evangelho, ele teve essa inspiração de Deus, de não escrever um Evangelho a exemplo daqueles que já existiam: Marcos, Mateus e Lucas. Mas de escrever um Evangelho sobre um ponto de vista completamente novo. Por isso ele meditou durante tantos anos, e porque buscou a Deus ele descobriu que Jesus é a releitura de toda a história. Então o que ele fez? O Antigo Testamento inteiro ele quis resumir, mas veja, o Antigo Testamento são quarenta e seis livros, são pelo menos três quartos da Bíblia. 

São João teve essa divina inspiração. Por isso o Evangelho de São João começa com as mesmas palavras que começa a Bíblia. Se você pegar Gênesis e João l têm o mesmo começo. Gênesis é no princípio. Se fosse um livro em português teria que se chamar "No começo".

Então, São João, partindo da primeira palavra do Gênesis, resume a história da salvação e coloca o ápice dessa história: o verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós. Mas, ao invés de voltar ao novo Adão que é Jesus, quando ele mostra que Jesus é o novo Adão. Do mesmo jeito que Adão dormindo no paraíso do seu lado direito é tirado Eva, do mesmo jeito, do Cristo na Cruz é tirada a nova Eva que é a igreja do mundo novo. Nesse resumo São João chama a nossa atenção para um grande e importante personagem da história cristã e especialmente judaica. Para o judeu, qual é o homem mais citado na Bíblia? É Moisés. Veja que São João uniu os dois e é o que nós somos convidados a fazer.

“Todos nós recebemos de sua plenitude graça sobre graça”. Mas Jesus diz: “Eu não vim abolir a lei, eu vim levá-la à perfeição”. O que São João está nos convidando a fazer e pela lógica do Evangelho ele vai continuar convidando, quando ele nos fala do amor de Deus no capítulo 3. Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do homem (Jô 3,14a). Quando tiverdes levantado o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou e que nada faço de mim mesmo (Jô 8,28a). Ou ainda: “E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.” (Jo12, 32a). O que São João faz é colocar para nós, Moisés como aquele que já trilha o caminho, Jesus entrou nesse caminho.

Olhando para Moisés, nós queremos chegar a Jesus para fazer com ele e com eles o nosso caminho. Então se por Cristo nos veio a graça, a plenitude dessa graça, por Moisés nos veio a lei. Como Moisés, hoje nós queremos estar no monte Tabor para descer. Como ele disse para Pedro, ele também nos diz que é preciso descer da colina para viver a realidade da vida. Se prestarmos atenção no começo do livro do Êxodo vamos entender o que Deus está nos ensinando com essa Palavra.

Os israelitas gemiam ainda sob o peso da servidão, clamaram, e, do fundo de sua escravidão, subiu seu clamor até Deus. Deus ouviu seus gemidos e lembrou-se de sua aliança com Abrão, Isaac e Jacó. Olhou para os israelitas e reconheceu-os (Ex 2, 23-24).

 “Os israelitas gemiam sob o peso da escravidão”. Assim como nós gememos sob o peso da escravidão do pecado, das drogas, da prostituição. Como eles, nós queremos também clamar. “Do fundo de sua escravidão subiu seu clamor até Deus”. Não importa a situação que você se encontra, por mais fundo que você chegue ao pecado, Jesus já foi muito mais fundo porque ele desceu aos infernos. “E Deus olhou para os israelitas e os reconheceu”. Hoje é também o que nós vivenciamos. “Deus olhou para cada um de nós e nos reconheceu”. E também como Moisés, nós podemos fazer a experiência da sarsa.

Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, que era sacerdote de Madiã. Moisés levava uma vida comum. Todos nós sabemos um pouco da história de Moisés. Por que ele chama-se Moisés? Porque ele foi salvo das águas. Quando Moisés nasceu, o povo de Deus não podia ter filhos. Quando tinham filhos, tinham que matar. Mas, quando Moisés nasceu, sua mãe ficou com muita pena de matá-lo e por isso ela cuidou dele escondido e quando ele estava com uns três meses, ela deu um jeito de colocá-lo em uma cesta de junco e colocou a cesta com o menino no rio em que a filha do Faraó estava tomando banho. E a irmã ficou observando.

Quando a filha do Faraó encontrou aquela criança pequena e frágil, ela recolheu. Nisso, a irmã correu e falou que conhecia uma senhora que podia amamentá-lo. Moisés foi criado pela própria mãe, mas que oficialmente era filho da filha do Faraó. Moisés cresceu normalmente, mas tinha uma metodologia muita estranha, porque quando tinha duas pessoas brigando, ele matava uma para terminar com a briga. 

Moisés era gago, com uns quarenta anos, casou-se. E viviam à custa do sogro, que era pagão, sacerdote de Madiã, era como se fosse pai de santo.
Um dia em que Moisés conduzia o rebanho para além do deserto... Durante mais de quarenta anos Moisés viveu aquela vidinha de sempre. Levantava cedo, ia para o campo, levava as ovelhas para o deserto para catar aqueles restinhos de comida. Como nós fazemos também. Quantas pessoas estão levando o seu rebanho, a sua vida, o seu corpo para pastar nas guanchumbas que dão no deserto e se contentam com as migalhas. Quantos estão se contentando com as gotinhas de amor, suplicando ou pagando amor.

Moisés teve coragem de ir para além do deserto. E ir para além do deserto significa sair do seu mundinho, mudar de caminho, ir para outra direção. É preciso tomar a decisão de jogar fora o que não presta e tomar outra direção. “Não adianta dar banho em porco."  E você não é porco, por isso não viva sendo dominado por um espírito de porco, tome posse do Espírito Santo. Não seja igual ao filho pródigo que saiu da casa do pai para viver no chiqueiro. Se você tem um chiqueiro na sua casa, se você está vivendo naquele deserto, e muitas famílias são um deserto. Não tem alegria, não tem paz, casamentos desérticos. 

Sabe o que é triste em um deserto? É olhar para o deserto e não ver nenhuma perspectiva de saída. Com aquele sol forte que bate naquela areia, você olha e parece que tem um lago imenso. E as pessoas vão atrás daquele oásis e morrem por isso, pois quanto mais você olha e caminha na direção daquele oásis, mais longe você fica. O deserto do Saara é tão grande que hoje ele já atinge nove paises, é imenso, e por isso as pessoas se perdem. Mas é preciso ir além do deserto, e muitas famílias não passam de um deserto.

Nós somos chamados a começar esse caminho novo. E a primeira coisa a fazer é: sair e ir para além do deserto. O roteiro de Moisés é fabuloso, pois ele saiu do deserto, foi além do deserto, chegando até a montanha de Deus. O único jeito de vencer um problema é ultrapassando-o em Deus, não tem outro jeito.

Eu tenho absoluta convicção que todo e qualquer programa de desintoxicação que o governo ainda fizer, vai dar em nada. Se não tiver uma profunda experiência de Deus, não tem jeito.
O governo italiano, alguns anos atrás, criou a Clínica Gemelli. Uma clínica modelo na libertação da dependência de tóxicos. Com psicólogos, nutricionistas, terapeutas, profissionais de todas as áreas. Gastou uma fortuna, e depois de cinco anos, quando foram fazer uma avaliação, chegaram a uma terrível conclusão de que depois de cinco anos de investimento a um custo mensal de três mil dólares por pessoa, o resultado foi péssimo, com um índice de recuperação zero. Mas onde está a falha? Na medicina? Na psicologia? Não! E nós não estamos desprezando isso. Nós estamos dizendo que só isso não adianta. Por quê? Porque o jovem drogado tem o corpo de vinte ou de dezoito anos, a afetividade de doze, e a fé de cinco anos, talvez nem isso. 

Porque muitos não tiveram nem pai nem mãe para transmitir a fé. E se não têm a fé, também não têm afeto. Por isso que é impossível, sem uma experiência de Deus, independente de qual seja seu problema, sem uma experiência de Deus você não vai conseguir resolver. Não existe área da nossa vida que não tenha solução, mas qualquer que seja o problema, a solução tem um único nome: Jesus Cristo.

O lugar mais espetacular da Bíblia é o monte. Todo homem e toda mulher de Deus na Bíblia tiveram uma experiência com Deus na montanha. Abraão no monte do Senhor que providencia, Javé Iré. Aliás, é de lá que vem a expressão: "Deus provê, Deus proverá". Quando seu filho pergunta: “Pai, nós estamos levando tudo, mas falta a oferenda! Aí Abraão diz: “Javé Iré”, que  significa: "Deus proverá".
Foi também na montanha que Elias quando estava no fundo do poço... E quantas pessoas estão iguais a Elias: deprimidas, angustiadas, amarguradas. Jovens deprimidos, jovens angustiados tomando Lexotan, Prozac, Anafranil. Andam com a bolsa cheia de remédios “tarja preta” e ficam feito uns bobos. 

Você tem que fazer igual a Elias. Havia 450 sacerdotes de Baal que estavam para matá-lo, estava sendo perseguido. Mesmo assim foi para a montanha. E onde foi que Jesus encontrou forças para vencer o demônio? Na montanha. Onde foi que Jesus nos deu a vida? Na montanha. Onde foi que Jesus nos deu a nova Lei, o novo Moisés? E o sermão das bem-aventuranças também foi na montanha. E não tem outro jeito. 

Enquanto você for para o fundo do poço, Deus não vai atrás, porque ele já foi uma vez para você não precisar mais ir. Não dê banho em porco, saia dessa planície que você está vivendo. O que Deus falou para Lot? Lot estava vivendo em Sodoma e Gomorra, uma cidade que estava sendo destruída pela pornografia e pelo adultério. E Lot não aguentava mais nem ouvir e nem ver tanta podridão, tanta patifaria, tanta pornografia. E o que Deus falou para ele? Querem salvar sua vida? Subam a montanha. Até parece uma solução fácil, mas subir a montanha não é fácil, e sabemos que o caminho de Jesus é subida. Se você é molengo e gosta de viver somente na mamata, não entre no caminho de Jesus. Mas se você for fraco, entre no caminho de Jesus, porque fraqueza não é problema.

 Santa Terezinha queria ser santa e foi para o Carmelo com quinze anos para ser santa. E chegando lá ela se encantou com a vida de Santa Tereza e de São João. Ela dizia “Eu quero ser santa. Eu não consigo ser santa”. Quando ela leu o que Santa Tereza fala das escadas, que é preciso subir, das montanhas, que é preciso subir, ela disse: “Eu não consigo!” E foi ficando triste porque queria ser santa, mas não conseguia ser santa como foram Santo Agostinho, São Paulo, que eram fortes e revolucionários. Mesmo assim, ela persistiu no desejo de ser santa e um dia ela disse: “Se eu quero ser santa e não consigo, Deus há de me dar um jeito de achar um caminho”.

Um dia ela estava rezando e se lembrou da primeira vez em que ela foi a Paris. Quando ela foi a Paris com o pai, ela tinha oito ou nove anos de idade. Ao chegar a Paris ela ficou encantada com os arranha-céus, aqueles prédios imensos com muitos andares...  Aí ela ficou pensando como iria fazer para subir, para chegar lá em cima. “Imagine uma criança que vivia na roça, quando vai à cidade e vê um prédio daquele tamanho. O que você iria imaginar?”
O pai dela já havia falado que eles precisavam ir a um dos últimos andares, e por isso ela já estava sofrendo só em imaginar como iriam conseguir subir naquele prédio. Foi uma grande surpresa para Terezinha quando chegou ao hall do prédio e Terezinha viu aquele elevador. Ela nunca tinha visto um elevador, por isso ficou encantada, e aquilo não saía do coração dela. Alguns anos depois, estava rezando, pedindo a Deus um jeito de subir os difíceis degraus da santidade, foi quando veio à lembrança aquele episódio. “Se para subir em prédios muito altos, já inventaram uma escada que anda, então, para ir para o Céu, também deve ter, e eu vou achar”. Deus falou ao coração dela: “Já tem. O elevador que leva você é os braços de Jesus". E ela descobriu que esse é o segredo.

Não é a nossa fragilidade que nos impede de subir. Deus não olhou para a fragilidade de Moisés, Deus olhou para as duas coragens de Moisés. A primeira: ir além do deserto. É preciso sair do deserto que estamos vivendo. A segunda: é preciso subir a montanha de Deus. Precisamos ter essa pré-disposição. “Eu quero subir essa montanha Senhor! Não vai ser fácil, isso eu sei, mas eu vou subir.” 

Se você tiver uma meta e deixar se conduzir por Deus, você não desiste. Pois tem a força de Deus, esse mesmo Deus que salvou Moisés, salvou você. E você é único no mundo, e a ciência comprova isso, basta olhar no seu dedão.

Não fique se lamentando e contando seu sofrimento, se tornando uma pessoa chata, difícil. Deus não escuta oração de lamúria. Nem de seu filho ele escutou. Quando Jesus falou: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?” O Pai riu para ele. “Pai, se possível afasta de mim esse cálice!” Deus falou e ele pensou que fosse um eco. “Cale-se!”. Se ele não escutou a oração do filho, por que iria escutar a sua? Porque Deus não criou gente fraca, Deus não criou esse ser humano reduzido, esse ser humano desértico.

Suba para a montanha de Deus. E qual é a minha montanha de Deus? O que eu preciso fazer? Não adianta ficar esperando uma coisa espetacular. Moisés viu uma chama em uma sarça. Sarça é um matinho seco semelhante aquelas vassourinhas que tem em lugares muito secos. Era normal pegar fogo em algum ponto do deserto, devido à seca, e com o reflexo de algumas pedrinhas. Era muito natural uma sarça arder no deserto, mas naquele dia Moisés tinha ido para além do deserto, ele tinha saído do deserto. Ele já tinha tomado a decisão de começar uma vida nova, porque tinha subido a montanha. E quando eu tenho a coragem de sair do deserto e subir a montanha, Deus revela-se através de alguma coisa até muito simples.

O anjo do Senhor apareceu-lhe em uma chama que saía do meio de uma sarça. Moisés olhava: a sarça ardia, mas não se consumia(Exo 3,2). 

Quantas vezes essa sarça já ardeu em nossa vida, através de um pecado ou através de uma mágoa. Mas não se consumiu por misericórdia de Deus, não por mérito nosso.

Havia duas moças morenas que estavam andando na floresta, quando acharam uma trilha. Começaram a andar naquela trilha. Uma morena falou:

- Estou achando que isso é rastro de cavalo!

- Não! Cavalo não tem rastro assim. Isso aí é rastro de elefante. Olha o tamanho! E pelas pegadas, elas estão muito juntinhas.

- É de cavalo.

- É de elefante.

Biiiiip. O trem passou por cima das duas.
Assim nós fazemos. Não identificamos o trilho do trem e ele passa por cima. Não queira ser especialista naquilo que você não sabe. Sai do deserto, corre para a montanha. A sarça arder significa exatamente isso.

 Quantas vezes Deus já se manifestou na minha vida, mas eu não percebo porque eu estou correndo para todo lado. Eu estou atarefado porque eu preciso fazer tantas coisas. Eu vivo agitado, correndo. Você já notou como o ser humano moderno é um ser cansado? Mas por que é cansado? Porque a tecnologia em vez de ajudar, prejudica. Antigamente não tinha luz elétrica. Quando chegava seis horas, o que as pessoas iam fazer? Dormir. Dormiam dez, onze horas. Levantavam cinco horas da manhã, comiam aqueles torresmos, e não tinham colesterol. Aí inventaram a luz, e com a luz a gente trabalha à noite. Aí você deixa um monte de coisas para fazer à noite e por isso dorme pouco. Antigamente não tinha relógio. Calculava pelo sol, vivia conforme o tempo. Hoje nós corremos contra o relógio, nossa vida é marcada pela correria, você está sempre correndo e está sempre atrasado. Se for hoje o dia que Deus vai apertar o seu botão? E se for hoje, durante uns três ou quatro dias eles vão comentar, vão chorar e logo vão esquecer-se de você. 

Deixe de ser besta, a vida é hoje. Tem gente que se acha muito importante. As pessoas gostam de você igual nós gostamos de papel higiênico. Quando compramos papel higiênico, procuramos um papel cheiroso, macio... E depois que usamos? É isso que o mundo faz conosco. Ele quer você cheirosinho e bem arrumado, quando você não serve mais, você é jogado no lixo igual papel higiênico.

 “Ah, padre, e minha família?” Quem matou a avó do Gustavo? Quem matou os pais de Susane? Família sem Deus é pior que inimigo. Eu prefiro ouvir aquilo que meus inimigos falam na minha frente do que aquilo que os meus falsos amigos falam por trás. Aquilo que os meus inimigos falam na minha cara me ajuda a crescer. Aquilo que os parentes e os falsos amigos falam, provoca mágoas. Por que tem tantas pessoas com mágoas e ressentimentos? Ficam correndo atrás de falsas amizades, querendo fazer média com todo mundo. Por quê? Porque eu preciso de aplausos.  Preciso ser reconhecido. Eu preciso que as pessoas gostem de mim. Você precisa é de Deus e mais nada!  Meta seu coração no coração de Deus.

Não existe nenhum problema que não tenha solução. É preciso buscar no lugar certo. Se você buscar “chifre em cabeça de cavalo”, vai levar coice. Mergulha o problema em Deus. Saia do deserto! Saia dessa vidinha que não vale a pena viver! Muitas pessoas me falam: “Padre! Eu rezei tanto pedindo ao Senhor para me curar e Ele não me curou”. Para que Deus vai curar você? Você só faz o que não presta, nunca fez um bem para ninguém, só pensa em si, é um egoísta, um ególatra que só quer as coisas para si e se puder pisar em outros. Deus vai curar você? Para quê? O que a minha vida ajuda o mundo a ser melhor? 

Precisamos pensar nisso. Porque se eu quero sair desse deserto e seguir os caminhos de Jesus, a primeira condição é esquecer-se de si. Qual é o deserto que você está vivendo? Se você não for interessante para as pessoas, quando você precisa, você não tem ninguém.
Certa vez um padre falou para os leigos que precisaria de uma pessoa que fosse missionário, pelo menos por um ano, na África. Apareceu apenas um ou outro. Mas tinha um sujeito que o padre tinha muito interesse nele, pois ele dava cursos de batismo e falava muito bem sobre o batismo. O padre chegou nele e falou: 

- Escuta, você poderia ser, por um ano, missionário na África para dar cursos de batismo? Eu tenho muito pedidos das dioceses da África.

"Ah padre, eu não posso não! Não posso porque em minha casa ninguém consegue viver sem mim. A minha mulher é doida por mim e só dorme se for segurando em minha mão. Se eu não esquentar o pé dela, ela não dorme. A minha filha não sai de casa sem me dar um beijo, e se eu tiver na rua ela não dorme enquanto eu não chegar. Eu sou insubstituível.

- Não é não, meu filho!

- É que o senhor é padre e não sabe.

O padre falou:

- Vamos fazer uma experiência? É muito simples: eu vou fazer uma oração para o senhor e o senhor vai amanhecer morto. Só que é só aparentemente morto. Todos vão pensar que o senhor está morto, mas o senhor estará vivo e escutando tudo.

 No dia seguinte, o homem amanheceu morto. Foi aquela tragédia, aquela choradeira, os filhos desesperados, a viúva ali na beira do caixão com aquela roupa preta e já queria morrer junto. Foi ficando cheio de gente, todos falando dele. E ele estava feliz e pensando: “Agora o padre vai se convencer”.

Mais tarde o padre falou:

- Eu queria pedir licença a todos. Pediria que todos se retirassem porque eu preciso fazer uma oração somente com a família.

Fizeram um circulo, somente a família e o padre, e então ele falou que estava tendo uma revelação espiritual.

- O senhor está me dizendo que pode trazer esse irmão de volta à vida. Se fizermos uma oração profunda por ele, ele voltará à vida, já que ele é tão importante. O senhor está me dizendo que, para que ele volte, um de vocês precisa ir no lugar dele. Quem se habilita?

O filho disse:

-
Eu bem até que iria, mas a minha faculdade e a minha noiva... Ela depende de mim.

A outra filha falou:

- Eu também, pelo meu pai eu daria a minha vida. Mas, padre, se eu for mamãe vai sofrer muito. Minha mãe gosta muito de mim e se apoia muito em mim. Eu que a levo ao médico, vou ao supermercado, ela vai ficar muito sentida comigo.

Chegou a vez de a mulher falar, e ela disse:

- Olha padre, você sabe que os filhos sofrem muito mais sem a mãe do que sem o pai. Por mim eu até que daria a minha vida, mas...

O homem estava feliz em ver o amor de sua família a ponto de dar a sua vida pela dele. Aí o padre disse:

- Decidam entre vocês, eu volto daqui a pouco.

Ficaram conversando durante um tempo para saber quem iria ser o voluntário. Quando o padre voltou, a mãe tomou a palavra e disse:

-
Olha, padre, nós rezamos, pedimos a inspiração, a iluminação espiritual e chegamos à conclusão que deve ser feita a vontade de Deus. Se Deus o escolheu, não seremos nós a mudar os sagrados planos de Deus.

Quando o padre rezou e ele voltou à vida, ele foi ser missionário. Está até hoje lá na África!

Quem é capaz de morrer em seu lugar? Somente Jesus, mais ninguém! Ele vestiu a sua cara. Ele vestiu a sua roupa, despiu-se dela. Então viva por causa daquele que morreu por você e por mim. 

Ir além do deserto, subir a montanha e contemplar essa sarça ardente. E quando Moisés olhou e contemplou a sarça ardente, ele não foi buscar fora, ele não foi fazer uma experiência longe não. A experiência de Deus foi ali. 

Vou me aproximar, disse ele consigo, para contemplar esse extraordinário espetáculo (Exo 3,3a).

Nós somos esse extraordinário espetáculo, mas quando não vivemos em Deus, quando nós vivemos no deserto, quando nós não subimos a montanha, nós não percebemos o extraordinário milagre que somos. O seu coração batendo cento e oito mil vezes por dia. Quantas vezes no dia, Deus diz a você que lhe ama e cuida da sua vida? Nós estamos pecando e Deus está nos dando saúde. Nós estamos pecando e Deus está nos dando amor. Nossos olhos se contaminam todo dia e Deus continua nos dando a visão. Nossos ouvidos estão condicionados ao pecado e Deus continua nos dando a audição. Usamos nossas mãos para o pecado, usamos nossos pés para o pecado. Se você sair desse deserto, você vai, como Moisés, experimentar esse extraordinário espetáculo. E aí? Qual é a resposta de Deus?

Vendo o Senhor que ele se aproximou para ver, chamou-o do meio da sarça: 

“Moisés, Moisés! Tire as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa. Eu sou, disse ele, o Deus de teu pai, o Deus de Abraão. O Deus de Isaac e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, e não ousava olhar para Deus. O Senhor disse: “Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim eu conheço seus sofrimentos (Exo 3,4-7).

Que sandálias são essas que nós estamos calçando? Essas sandálias de egoísmo e mentiras que precisamos jogar fora. Você que está com a muleta dos antidepressivos. Sem Deus você não cura essa depressão nunca, porque depressão é abismo, é buraco, e buraco é especialidade do encardido. Quantas vezes nós, pelo pecado não ousamos olhar mais para Deus. Tentamos esconder nosso rosto de Deus, mas damos as caras para o inimigo. Talvez falemos como Moisés: "Quem sou eu para ir ter com o faraó e tirar do Egito os israelitas?"

Oh, Senhor, eu sou tão fraco, eu estou no vício desse cigarro já faz muito tempo! Estou nesse vício de prostituição já faz muitos anos, e esse espírito de homossexualismo. Quem sou eu Senhor? Eu não consigo não! O Senhor olha para Moisés, para mim e para você e diz: “Eu estarei contigo”.
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4 comentários:

  1. As palavras do Pe. Leo são palavras de vida eterna.Nos falam da realidade, do cotidiano, dos problemas atuais, baseado na bíblia.
    SAUDADE desse homem santo!
    Zelia

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  2. Realmente Anônimo este homem nos deixou muitas saudades.

    Um dia estaremos com ele no céu

    ResponderExcluir
  3. Obrigada PAI por poder ler as mensagens de Padre LEO pela internet,como suas palavras tocam o meu coração sedento para encontrar-TE.

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