quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Minha despedida ao amigo padre Léo (Celina Borges)

O texto a seguir foi escrito pela cantora católica Celina Borges, quatro dias após o falecimento de padre Léo.
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Minha despedida ao amigo padre Léo

Bem, amigos, gostaria de partilhar com vocês o maravilhoso “retiro” que fizemos neste último fim de semana. Entendam bem, com todo respeito peço licença a minha querida dona Nazaré para assim falar de um momento tão difícil, porém tão abençoado e maravilhoso que foi o presente de poder estar no velório, missas e enterro do meu querido padre Léo.

É meus irmãos... Muita dor misturada com profunda alegria do céu e certeza de salvação... Ainda não sei definir bem tudo o que vivi e presenciei, mas posso tentar no intuito de mais uma vez edificá-lo, caro amigo, e de fazê-lo pensar melhor em sua vida como eu estou fazendo agora.

Nunca pensei que a morte de uma pessoa pudesse me trazer tanta vontade de trabalhar e viver mais e melhor para Deus e para minha Igreja.

Quando recebi a noticia da morte do padre Léo, levantei-me do quarto e rezando me lembrei da passagem dos 10 leprosos que foram curados, mas apenas um voltou para agradecer ao Senhor! Tentei entender o que significaria aquela parábola para mim relativo a este momento e então percebi com clareza que depois de tanta graça recebida eu, no mínimo, deveria estar ali com ele numa última despedida de gratidão profunda. Mesmo que fosse de longe ou que me custasse muito dirigir durante a noite cansada como estava. Não importava onde eu ficaria, como eu chegaria, se me chamaram para ir ou não, se me deixariam chegar perto dele... Eu queria ir mais do que tudo. Queria gritar: "Te amo! Muito obrigada! Me ajuda a continuar, me ensina mais, me fala de Deus com aquela propriedade única no Brasil e no mundo".  

Enfim meus gritos silenciosos eram muitos e a cada quilômetro chorava e agradecia a Deus e ao meu querido Léo toda a minha cura, todo seu cuidado comigo, (afinal ele tinha um cuidado especial com os piores) todos os dias e momentos que passei perto deste Gigante... Chorei, sorri uma dezena de vezes, até que chegando em Cachoeira Paulista e participando da primeira missa de corpo presente comecei a presenciar fatos, pessoas, crianças, palavras, soluços e olhares que me levaram a refletir e fazer meu especial retiro particular.

Como ele era amado! Como as pessoas afluíam querendo tocá-lo, multidão de corações gratos e especialmente construídos por este carisma único e espetacularmente alegre e corajoso desejando beijá-lo, uma última vez. Ahh que cena dolorosa e maravilhosa! Pense como ele estaria vendo aquilo no céu... Como estaria feliz vendo o povo simples se sacrificando para despedir de seu corpinho. Tive vontade de abraçá-lo e só pude dizer ao chegar perto do esquife: "Obrigada, amigo... Obrigada, querido... Deus te recompense, pastor!".

Agradeci em lágrimas profundas aqueles dias em Bethânia, o maior retiro da minha vida. Pensei com pesar nos que amo e que não teriam mais oportunidade de conhecer Bethânia com a presença do padre Léo. Quando me levaram para o lado do Eugênio, Ricardo Sá, Nelsinho, Eliana, Salete, padre Cleidimar e outros, não precisávamos falar nada. A dor e a aceitação da vontade de Nosso Deus estavam estampadas em nossos olhares e em nossos rostos. Só pude abraçá-los longamente e sorrindo trocamos afetos nas mãos dizendo saudade...
Beijei as mãos do Eugênio pois seu silêncio doloroso me cortava o peito e não sabia como consolar seu coração de amigo de perto do Léo, e de tantas pregações. Nelsinho me olhava e sorria sereno com aquele dom profundo de misericórdia estampado no olhar e no sorriso único. Vez em quando olhei para o rosto do padre Jonas... Como ele se sentiria agora? Quem mais poderia ter sido tão amigo? Quem mais teria partilhado sobre Deus e seus segredos em muitas madrugadas? Sereno, o padre Jonas orava... Sua imensa dor era transmudada em oração constante e vez ou outra uma lágrima caía de seu rostinho vermelho mais firme. Mais tarde vim a saber o que o próprio padre Léo teria falado com o padre Jonas antes de entrar em coma...


Não consigo narrar aqui, de tão doloroso mas verdadeiro. Contemplei muitas vezes todo o Rincão... A cada olhar eu me lembrava de uma frase do Léo, de uma piada simples, mineirona, mas tão edificante! Bispos, autoridades, dezenas de padres, amigos chegavam de todas as partes. Realmente senti novamente um pesar muito grande por não ver Roseane, Flávio, Leandro, Meirinha, Anne, Alessandra, Martini, Cláudio... Ali comigo registrando aquilo tudo. Pessoas que o Padre Léo amou demais, tocou demais, transformou demais! Quando a gente ama a gente quer o melhor para os nossos. Cada coisa que falavam dele me edificava mais ainda. Quando dona Nazaré (a mãe do padre Léo) me disse que ele simplesmente me amava muito me senti plena como filha espiritual que sempre fui e seguidora de seus ensinamentos. Abracei a cada um de Bethânia, eles, os filhos reais da vocação, aqueles que conviviam com ele, andavam com ele, dormiam e acordavam...

Enfim foi uma lição de fé e de certeza de salvação. O abraço do PC, ministro de musica do padre Léo, o sorriso e acolhida do Betão e da Cris que literalmente carregaram o padre Léo no colo durante todo o ano de martírio. Quanta vida, quanta força, quanta coragem! Seguindo para Itajubá, onde o corpo seria novamente velado e enterrado mais tarde, aí sim que presente para mim! Pude ficar ali bem no chão, graças a Deus, bem como eu gostava de assistir o Léo falar em Bethânia... Sentada aos pés dele, nosso mestre e imitador de Jesus. Me senti novamente Maria (a irmã de Marta) sentada ouvindo as palavras de Jesus. Dona Nazaré vez ou outra mandava beijinhos discretos para a direção do caixão, dizendo entre os lábios: "Meu filho... Meu filho..." Eu vi Nossa Senhora nela. Sei que elas estavam juntas nessa hora.

Que missa maravilhosa, que homilia! Não há tempo para te narrar... Acho que fiquei meio atordoada quando Dom Vagner, amicíssimo do padre Léo, disse: "A questão não é como se morre, quando se morre ou do que se morre, mas sim como se VIVE!" Padre Léo tinha apenas 45 anos, tão novo... Doença tão cruel... Só Deus pode nos dizer um dia Seus mistérios.

Pensei em fazer música na hora! Que frase e que verdade! Quero viver bem. Quero dar um sentido a minha vida. E você pode estar dizendo: "Mas, Celina, você já não tem um sentido verdadeiro de vida?". Claro, mas preciso rever minhas decisões e escolhas. Dar um sentido de essência a minha missão. Não quero ficar jamais no comodismo ou glamour de palcos. Não desperdiçarei o sacrifício e martírio do meu amigo padre Léo. A sua morte me trouxe uma nova ação... Um novo desejo de luta... De levar o evangelho as verdadeiras nações. Em meio a muitos aplausos do povo enquanto ele era enterrado, rezei muito pelo Brasil, por você, por toda nossa Igreja, para que Deus suscite um novo "João Batista" que anuncie os caminhos do Senhor a todos! Eu quero ser... Envia-me Senhor! Só pude então compor uma música! Cantei e rezei duas madrugadas!

E Você... Como está vivendo? Não desperdice também o sacrifício deste homem maravilhoso, simples, ousado e apaixonado pela vida. Se ele te conhecesse daria sua vida por você... Ele já te amou sem te conhecer. Vamos rezar por Bethânia, pela família do padre Léo e seguir em frente sem desistir!

Celina Borges, melhor hoje porque conheci um gigante contra o mal... Padre Léo descanse em paz, amigo, e muito, muito, muito obrigada... Obrigada... Te amo... Sou a menina dos olhos de Deus, menina do céu como você me ensinou! Sua bênção...

Celina Borges - 08.01.2007

4 comentários:

  1. Não sou santo, mas com a graca do espírito santo. Pode entender o que a Celina Borges quis dizer desse martírio do Padre Léo. "Não quero ficar jamais no comodismo ou glamour de palcos." Isso significa um desapego das coisas que mais nos fazem bem, para esse mundo, e se apegar do martírio, que nos da à graca para uma vida melhor, aquilo que o Padre Léo nos ensinou. Não levaremos nada desta vida... A questão não é como se morre, quando se morre ou do que se morre, mas sim como se vive!" O Padre Léo viveu para nos ensinar o bem! O seu propósito, Celina Borges, é o meu propósito; Não desperdicar o sacrifício e martírio do Padre Léo! Mas fazer alguma coisa. Ai de mim se não evangelizar, dizia o Padre Léo, ai de mim! Esse novo despertar de João Batista, nos ilumine a seguir os passos de Jesus, como fez o Santo Padre Léo na busca de Jesus, com o seu sacrificio e martírio. E hoje é o nosso grande intersessor!

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  2. baixei umas pregação para minha familia estam precisando, e para mim ,muito boa.....

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  3. Eu ja conhecia padre Leo de nome, pois sou da Barra, mas só tomei conhecimento do trabalho dele em 2006, qdo minha filha levou um DVD dele tem um jesus la em casa, e o outro que nao me recordo agora. Porem no dia do seu velório estava ameaçando chuvas fortes aqui em Itajubá com ameças de enchentes, não fui Na Matriz da Soledade ve-lo. Hoje qdo penso, que não fui ve-lo, por medo de perder coisas materias, fico me punindo, dizendo pra mim mesma como vc é materialista. Mas sei que ele entende pq agora estou começando a entender o plano de DEUS pra mim, padre Leo o sr esta me ajundando mto com meu esposo, ele esta até indo receber eucaristia junto comigo depois que passou a ouvir seus sermões.Obrigado Anjo, fique ao lado de minha mãe e junto de meu e peça a eles para olhar nos nos aqui, ah padre Leo olha a Mauriza tambem por favor ela foi embora mutio cedo, como o senhor. Padre Leo São Pedro trocou seu cracha? pois vc no qto especial, ou junto com aquela alma que ronca a noite todo.

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  4. Já é hora das autoridades eclesiásticas do Brasil iniciarem o processo de beatificação do Pe. Leo.Um verdadeiro santo dos tempos modernos.

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