quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Diga-me com quem andas...



 Jesus ao tornar-se homem, assumiu de fato a condição dos mais pobres entre os seres humanos  

“Vigiai e orai para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mc 14,38).

Por que será que Jesus escolheu como apóstolos somente pessoas simples e sem nenhuma grande formação religiosa no judaísmo? Exatamente porque o grupo de seus seguidores era formado por pessoas simples e humildes, gente sem instrução e, muitas vezes, marginalizada em geral. Aliás, além da lista pouco recomendável que aparece em sua genealogia, seus primeiros adoradores foram pessoas simples ou pessoas que vieram de muito longe para conhecê-lo. É o caso dos magos que vieram do Oriente para adorar o menino que tinha acabado de nascer. 

Engraçado. Herodes, que vivia tão perto de Belém, ficou apavorado só com a notícia do nascimento de Jesus. Os magos, que segundo a tradição, eram reis em seus países, vieram de longe para oferecer seus presentes. 
Herodes ficou com medo de perder seu poderio. Aliás, todos aqueles que baseiam sua vida no poder, vivem no temor e na angústia. Estão sempre tentando proteger seu poder, porque, sem o poder, não são absolutamente nada.

Jesus, ao tornar-se homem, assumiu de fato a condição dos mais pobres entre os seres humanos. Nasce num curral, no meio de bois e de outros animais. Logo em seguida é levado como fugitivo para o Egito, porque Herodes queria matá-lo. Depois passará sua infância, adolescente e juventude em Nazaré da Galiléia, um lugar tão simples que Natanael chega a perguntar: “Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré?” (Jo 1,46).

Jesus é o filho do carpinteiro. Não estudou nas escolas dos mestres e nem dos rabinos. Viveu simples e obediente aos pais até os trinta anos, quando começou sua vida pública, sendo batizado por João Batista nas águas do Rio Jordão. Se João oferecia um batismo de conversão, porque Jesus precisou ser batizado? Ele não precisou. Ele quis ser batizado para se fazer igual a todos os pecadores e marginalizados. Do mesmo modo que faz a experiência do batismo, passa pela tentação, assumindo em si toda a condição humana, menos o pecado.

De Nazaré, com cerca de trinta anos, Jesus vai morar em Cafarnaum, uma cidade situada às margens do mar da Galiléia. Para seu ministério era um lugar muito estratégico. Ali começa a chamar seus primeiros discípulos, entre os quais os seus apóstolos. Dali, “Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. Sua fama espalhou-se por toda a Síria: traziam-lhe os doentes e os enfermos, os possessos, os lunáticos, os paralíticos, e ele curava a todos” (Mt 4,23-24).

Com Jesus o Reino de Deus chega ao coração de todas as pessoas. Não é mais necessário passar pelo complicado esquema, reservado para alguns privilegiados, que poderiam ir até Jerusalém, oferecer sacrifícios para ver se atrairiam para si as graças de Deus. Com Jesus a graça de Deus vem de graça. Ele é a Graça em pessoa e permite que esta graça chegue ao coração de cada um, por pior que a pessoa seja ou possa ter sido.

Os felizes de seu Reino não são os ricos e poderosos, mas os que tem um coração de pobre, os que choram, os mansos, os que tem fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacíficos e até mesmo aqueles que são perseguidos por causa da justiça, ou que forem caluniados por causa do Evangelho (cf. Mt 5,1-11). 

Com Jesus chega ao coração da humanidade o jeito de pensar, de amar e de agir do próprio Deus. Ele é o perdão, o acolhimento pleno, o pai de todos. É o Deus Plural, o Nosso, e não um deus privilegiado para alguns privilegiados. Com Jesus a humanidade toca em Deus e pode ser tocada por ele. Por isso tanta gente simples e pecadora começa a seguir esse homem de Deus, que era Deus feito homem.

Padre Léo

Trecho do livro "Corações Curados"








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