quarta-feira, 21 de março de 2012

E-mail ao Padre Léo 14



Olá, pai querido, Hoje estou lhe escrevendo, porque lembrei uma curta conversa que nós tivemos (na verdade apenas um bate papo),
De: o mais gentil dos Josés
Assunto: sonhe grande... Viu?...
Para: padreleo@ceuhotmail.com
Olá, pai querido,
Hoje estou lhe escrevendo, porque lembrei uma curta conversa que nós tivemos (na verdade apenas um bate papo), entre a capela da casa de retiro e o refeitório. Naquele tempo, de tão curta que essa conversa foi pareceu ser até meio insignificante, e quase que eu não consigo lembrar-se de tão trivial que foi. Mas depois de sua passagem para a eternidade... Ah! Ela ganhou para mim uma importância abismal.
Recordo que tínhamos acabado de sair da missa em um sábado de manhã, e enquanto todos se dirigiam apressados para o refeitório, eu aproveitei para partilhar com o senhor uma grande alegria que eu estava sentindo (aliás, uma grande tristeza sua era de que a grande maioria de nós só se aproximava do senhor para trazer problemas, mas não lhe procurava para partilhar as alegrias e os sonhos).
Então aproveitei que o senhor tinha recém chegado de viagem para puxar conversa.
- Olá, pai querido... O senhor fez boa viagem?...
- Sim, meu filho, graças a Deus.
- Posso lhe acompanhar?... Porque preciso conversar um pouco com o senhor, mas é bem rapidinho.
- Sim, podemos ir conversando, mas primeiro me diga... Como você está? Sua saúde vai boa?
- Sim.
Meneei a cabeça afirmativamente acompanhando instintivamente o seu gesto de andar com as mãos para trás, e como todos já tinham passado por nós...
- Pai, o que eu tenho para lhe dizer é que estou muito feliz, sabe?... Estou numa fase muito boa e... Cheio de sonhos.
- Que bom, meu filho...
O senhor respondeu com os seus olhões azuis brilhando, para depois completar.
- São os sonhos que temperam a vida...
- Sim, e eu tinha que dizer isso para o senhor, até porque, da última vez que conversamos... Há dois meses, acho, eu estava muito mal... Lembra?
- Nem só lembro como tenho rezado muito por você.
Respondeu sem se importar com a minha interrupção.
- Obrigado, pai querido...
O senhor guardou silencio ao meu agradecimento, e por mais devagar que andássemos (e nós estávamos andando bem devagar), a essa altura da conversa já estávamos quase na altura do varal escutando o ruído dos meninos no refeitório, então o senhor deu uma paradinha estratégica e olhando para as “coroas de Cristo” no barranco da casa Lázaro apontou com o indicador.
- Veja essas “coroas de Cristo” meu filho... Você sabe o porquê de evidenciarmos as “coroas de Cristo” nos nossos recantos?...
Mas antes que eu respondesse o senhor completou.
-... Elas nos dão uma grande lição de força e de coragem, sabe?... Mesmo plantada nos lugares mais inóspitos, como os barrancos, por exemplo, onde nada sai... Nem grama ás vezes, elas conseguem arrancar dali, da pobreza daquele solo duro o essencial para viverem, e... Como se não bastasse, suas pequenas flores quase o ano inteiro produzem um néctar com o qual as abelhas produzem o mais precioso mel.
Olha pai, não é querendo “encher sua bola” não, viu? Até porque o senhor nunca precisou disso, ainda mais agora que está no Céu... Mas a verdade é que eu nunca tinha escutado uma explicação sobre o valor da “coroa de Cristo” em Bethânia tão curta, simples e linda como aquela.
- Sabe filho?...
O senhor deu continuidade à conversa, fazendo sinal para continuarmos andando.
-... Continue arrancando forças ai dentro de você. Nunca se deixe abater por nada, nem pelo cansaço, nem pela doença... E mesmo nos dias maus... E, sobretudo nos dias maus, lembre-se do exemplo da “coroa de Cristo”. Você pode, viu?
Ah! Pai querido, a essa altura da conversa chegamos ao limiar da porta do refeitório, mas antes de entrarmos o senhor arregalou aqueles olhões para mim como se quisesse penetrar na minha alma, e deu o arremate final.
- Continue sonhando, tá filho? Continue sonhando... Nunca se esqueça que são os sonhos que temperam a vida da gente, e... Para grande sonho, homem grande, para sonho pequeno... Homem medíocre.
Obrigado, pai querido... Por ter me ensinado a ser um sonhador.
Te amo, viu?...

José Gentil, bth - Consagrado da e escritor, autor de "O Anjo do Celeiro"



4 comentários:

  1. José Gentil, obrigada por mais essa benção!
    Nesse seu diálogo com Pe Léo,parecia-me ouvir a voz
    dele, com seu timbre e entonação tão singulares, aproveitando os minutinhos da caminhada com vc,para poder lhe fortalecer e lhe mostrar "o caminho dos sonhos"!
    Muito lindo como todos os seus emails!!!
    STELA MONTEIRO NADER

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  2. que bencao de deus!!!! que santo homem, que saudade!!!obrigada pela partilha, obrigada por ter cido presente na vida do pe. leo e hoje partilhar conosco suas licoes de santidade e amor ao proximo!continue...

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  3. José, que alegria você deve sentir em ter sido agraciado por este relacionamento com Pe. Léo. E ao mesmo tempo que saudades,não? Maravilhoso este diálogo entre vocês. Eu acho lindo demais vocês o chamarem de PAI. E ele falava dos filhos! Ah!Que orgulho naqueles olhões verdes e sua boca pronunciava com doçura"Meus filhos" Reze por mim,José. A única coisa que me alivia da minha tristeza são as palestras dele que eu assisto todos os dias.(Tenho 63em DVD). Deus te abençoe! Patrícia Maia do Carmo Belo Horizonte-M.G.

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  4. Muito linda essa reflexão do José Gentil, que tal juntar todo esse material em um livro?
    Ana Cristina Almeida.
    Rio de Janeiro - RJ

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