quinta-feira, 11 de junho de 2015

Precisamos amar

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"Subiram dois homens ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano.
O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali.
Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros.
O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!
Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado."
Lucas 18, 10-14
 

Olá meus queridos e amados irmãos em Cristo Jesus, que o amor de Deus os impulsione a amar. Acredito que esse trecho de Lucas é de uma atualidade imensa. Por vocação somos chamados a amar, mas estamos cada dia mais longe dessa vocação. Por quê? Por que vivemos como um publicano, mas rezamos como um fariseu.

Ser um cristão de missas é a coisa mais fácil do mundo. Vamos às missas, celebramos a Eucaristia, comungamos do corpo de Cristo, mas quando voltamos para as nossas casas continuamos a não amar nossos familiares, continuamos mascarados, continuamos dando para eles o nosso pior.

Hoje, com muita facilidade, nós nos fechamos em nosso mundinho egoísta e excluímos as pessoas. Alguém nos machuca? Nós cortamos relações com ela. Alguém nos calunia? Além de revidarmos com uma série de agressões, ainda aniquilamos a imagem dela para outras pessoas. Alguém pensa diferente de nós? Nós a excluímos e a tratamos com indiferença.

 Vivemos na sociedade do egocentrismo. Refiro-me a sociedade, mas na verdade todos nós e cada um de nós vivemos olhando apenas para o nosso eu, por sinal um eu ferido e machucado. Um eu solitário em minha mesmice, em minhas falsas seguranças, em minhas feridas interiores.

Ser cristão hoje em dia é querer fazer com que Jesus faça as nossas vontades. Nós queremos ser deus de Deus ou queremos dizer a Ele como ser Deus. Somos fariseus mascarados, que vivemos um cristianismo de aparência, um cristianismo superficial que é de acordo com a nossa vontade, de acordo com a limitação que impomos a Deus.

Jesus nos chama para amar a todos, sem distinção, mas se eu encontro com um ateu eu além de não tentar acolhê-lo e amá-lo, eu ainda o julgo e muitas vezes o condeno ao inferno. Se eu me encontro com alguém que possui HIV, ai é que não chego nem perto, vou na direção oposta. Meu preconceito não me permite me aproximar dele.

Se me deparo com um drogado ou alguém com algum tipo de vício, nem me proponho a compreendê-lo ou ajudá-lo bem como ainda o rotulo. Se eu me encontro com um homossexual, além de julgar suas práticas, suas escolhas, sua forma de ser e de viver, eu não o amo, não procuro sequer respeitá-lo, pois o acho uma aberração e provavelmente ainda o condeno ao inferno.

Mas quando encontro um irmão da minha Igreja, eu o abraço, desejo a paz, faço a maior festa. Horas e mais horas de conversa. Vamos juntos a grupo de orações e lá entoamos cantos de louvor ao Pai amado. Adoramos ao Jesus na Eucaristia de joelhos prostrados. Vamos às missas com camisas religiosas estampando que somos cristãos, que amamos a Jesus, que vamos ser salvos.

Hipocrisia! Somos é uma raça de víboras farisaicas. Somos uma raça de gente fraca, ferida, machucada que nos fechamos ao amor de Deus. Escondemos-nos de Deus como Adão e Eva fizeram. Usamos máscaras diante Dele, fazemos orações lindíssimas, mas todas decoradas e que não revelam o nosso coração para Deus.

Escondemos de Deus o nosso coração e quando vamos ao Seu encontro maquiamos a realidade dele e fazemos propaganda para Ele daquilo que de bom fizemos. Por isso somos uma raça de gente hipócrita. Enquanto eu não entregar completamente o meu coração ferido, machucado, ressentido, mascarado, fariseu a Jesus, a graça Dele não poderá adentrar no mais íntimo do meu ser, eu não conseguirei a graça de verdadeiramente ser cristão.

Na Bíblia temos várias passagens que mostra Jesus vivia no meio dos pecadores, vivia ao redor de pessoas que, como as de hoje, nós julgamos, nós condenamos, nós excluímos, nós evitamos, nós não nos dispomos a amar. Nessas horas me lembro do amor do Padre Léo pelos seus filhos de Bethânia, me lembro que muitas vezes confundimos o carisma de Bethânia com um carisma que acolhe drogados, mas Bethânia, por essência, é uma comunidade de acolhida, uma comunidade que ama, sobretudo, os excluídos de nosso tempo. Acolhe a cada um como ao próprio Cristo.

Precisamos parar de viver como o publicano e a rezar como fariseus. Precisamos rezar como o publicano e a viver como Jesus viveu. Precisamos arrancar as máscaras encardidas de nosso coração. Precisamos nos abrir a graça da conversão, precisamos sair desse fechamento espiritual. Precisamos amar os excluídos de nosso tempo. 

Há tantos corações precisando de um pouco de amor, há tantos corações suplicando por um pouco de atenção, há tantos corações querendo apenas o silêncio de uma companhia ao lado.

E nós continuamos nessa postura farisaica, nos achando santos, verdadeiros cristãos salvos. Pura mentira. Somos e estamos completamente no caminho contrário da vontade de Deus. Precisamos muito mais amar do que julgar. Precisamos muito mais acolher do que excluir.

Precisamos muito mais perdoar do que tratar com indiferença. Precisamos enxergar o coração ao invés das atitudes, das palavras, do seu físico ou de sua crença ou não crença.
Precisamos construir uma sociedade que aprenda a amar. 

Precisamos respeitar até mesmo os absurdos que os outros cometem, pois muitas vezes essas atitudes nada mais são do que reflexo de uma vida com falta de amor, então nós que nos dizemos cristãos precisamos ser os primeiros a amá-los, a respeitá-los, a mostrar que somos iguais a eles, mas com uma diferença: abrimos os nossos corações ao amor de Jesus, por isso conseguimos amá-los mesmo quando eles nos desrespeitam.


Mas só conseguiremos amar esses nossos irmãos, se abrirmos o nosso coração fariseu ao infinito amor de Jesus. Precisamos dar livre acesso a Jesus para que Ele possa vir ao nosso encontro e nos curar. 

Para que isso possa acontecer, vamos rezar:


Abraço fraterno...
Jonathan Melo

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