sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

No galinheiro, deixe cair a máscara


De: o mais gentil dos Josés
Assunto: no galinheiro, deixe cair a máscara.
Para: padreleo_ceu@hotmail.com




          Pois bem, pai querido,
          Hoje eu gostaria de lembrar aquele nosso encontro lá
no galinheiro, lembra?... Não? Pois eu vou refrescar a sua
memória.          
          É o seguinte: naquela época eu estava trabalhando no galinheiro – na verdade eu tinha dois turnos de trabalho, de manhã no galinheiro e à tarde na padaria – e a minha grande tristeza é que o senhor nunca subia lá para ver o meu trabalho.
          “– Puxa vida!, o pai visita todos os lugares do recanto, menos o galinheiro”. Essa era minha reclamação constante.
          Mas uma bela manhã, estava eu lavando o corredor quando um vulto passou de uma baia para outra... Quem será?... – perguntei-me e fui ver. Ah! pai querido, tal foi a minha surpresa quando vi que era o senhor admirando os pintinhos recém-nascidos...
          Muito bem, mas aqui eu preciso contar um detalhe importantíssimo desse encontro, porque sem ele não faz sentido algum.
          É que por ter a imunidade muito baixa, meu médico tinha determinado que eu trabalhasse no galinheiro resguardado por uma máscara, dessas usadas pelos médicos e enfermeiros, para evitar qualquer tipo de bactéria – muito comum naquele ambiente. Então, quando o senhor me viu mascarado... ah! deu uma sonora gargalhada e disse, assim, do nada: “– Você ainda não deixou cair a máscara, meu filho?”...
          Ah! pai querido, foi muito engraçado, viu?... Porque foi tudo muito natural, o senhor me olhou e logo se saiu com essa caindo na gargalhada.
          É claro, que a máscara em Bethânia é muito significativa, e representa tudo aquilo de ruim que nós tentamos esconder.
          Quando se está nas ruas, na drogadição e submundo, é comum o dependente se resguardar por trás de todo tipo de máscara. Surgem daí os disfarces, as aparências enganosas, as mentiras, as dissimulações... E se tem um tema que o senhor pregou à exaustão, foi exatamente a questão das
máscaras. Foi ou não foi, pai querido?...
          Socialmente falando, também sabemos que o mundo vive numa máscara violenta, né, pai?... São pessoas querendo aparentar o que não têm, e, o que é pior, muitas pessoas tentando aparentar o que não são.
          Mascaram-se as relações, mascaram-se comportamentos, mascara-se, até mesmo, a espiritualidade. O que é uma pena...
          Olha, aquela foi uma manhã muito gostosa, sabe, pai?... O senhor visitou todo o galinheiro, me deu algumas instruções, e elogiou o meu trabalho – aliás, elogiar era com o senhor mesmo.
          Pouquíssimas vezes, eu o tinha visto tão à vontade como naquela manhã, sabe, pai?... E me mostrou direitinho que o senhor também entendia de galinha. Na saída, como não poderia deixar de ser, olhou bem para mim com aqueles seus olhões azuis e exclamou, já com um sorriso escapando
pelo canto da boca: “– Meu filho... tenha a coragem de deixar cair a máscara!
          Ai! ai!... Como não sentir saudade desse tempo?
          Beijos, pai querido.

José Gentil, bth
jpiresbethania@hotmail.com

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