quarta-feira, 29 de junho de 2016

Que espécie de ser humano nós estamos criando?


"Sabe o que me deixa mais triste quando eu ouço falar num sequestro desse que nem do *Olivetto? Quando eu li, no Jornal de Brasília de terça-feira que ele ficou preso numa casa... Fizeram um cômodo dentro de uma casa na rua Kansas. Eu não sei se esse 'Kansas' é de cansas de tanto esperar ou esse 'Kansas"' dos Estados Unidos, né? Ficou 53 dias preso numa casa. E que mais ou menos dez sequestradores cuidavam, revezando, dele. Agora, a polícia descobriu que esses sequestradores tinham alugado a casa uns dois meses antes. Prepararam a casa. Encheram a casa de câmeras pra ninguém ir lá pegar o homem. Puseram ele lá dentro.




 Aí vem na minha cabeça o seguinte: se fosse no Biguá esse sequestro, o sequestrador estava perdido. Porque se ele chegasse lá hoje pra montar a casa do sequestro, amanhã ele já tinha 26 visitas lá no Biguá. Com certeza! Depois de amanhã, a minha tia já tinha matado um porco e ia levar um pedaço de porco pra ele. Sim, lá no Biguá era assim! A gente visitava os vizinhos. 

Gente, eu não fico tão preocupado com esses sequestradores que vieram de outro país sequestrar não... A maldade sempre vai existir, infelizmente. O que me dói o coração é saber que numa rua cheia de gente, um morando do lado do outro... Mostrou na televisão, é uma casa grudada na outra. O vizinho do lado não percebeu que ali estava acontecendo alguma coisa! Não percebeu que estavam dez pessoas diferentes entrando e saindo sem falar com ninguém. Não percebeu que tinha uma pessoa presa lá dentro. 

Sabe por quê? Porque, segundo a Folha de São Paulo, 53% dos brasileiros estão olhando não para a casa do vizinho, mas pra casa onde estão os doze apóstolos do encardido criando o BBB, o 666. O novo número da besta que leva o ser humano a um individualismo, a um fechamento. Onde ele quer saber o que se passa na vida alheia de podre e de estragado, mas não quer se comprometer aquilo que vai na casa do vizinho dele do lado. Isso deixa a gente triste!"



"Pergunto: se você mora num prédio, se em um dos andares do seu prédio fosse usado como cativeiro para alguma pessoa, você teria descoberto? Talvez façam dez anos que você mora naquele prédio e nunca visitou um vizinho no andar de cima ou de baixo. Talvez façam dez anos que você mora naquela rua, mas você não sabe o nome da pessoa que mora na primeira casa. Você passa. Você vê sair. Você vê entrar. Que ser humano nós estamos criando? Isso é liberdade? 

A liberdade de vir alguém lá de fora, um estrangeiro, criminoso procurado no país dele, e vem aqui no meu país e mora na minha rua, ao lado da minha casa. Ao ponto de uma vizinha, que era estudante de medicina, ter colocado o estetoscópio na parede e ter escutado os gritos do homem. Meu Deus do céu! Que mundo é esse? É uma parede que nos separa! Mas que largura é essa parede? E pior: essa parede está sendo construída dentro das casas das pessoas. Porque nós estamos querendo ver uma porção de coisas lá fora que não nos comprometem. Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Sim, é permitido eu criar o meu mundo, a minha casa. Eu me criar numa situação individualista, num fechamento. Que espécie de ser humano nós estamos criando? Um ser humano pobre. Um ser humano ferido. 

Eu não acuso governador, eu não acuso a polícia, eu não acuso o governo por um sequestro desses. Eu me acuso! O meu coração entra num processo de exame de consciência, de ato penitencial. Porque, quem sabe, se fosse a casa do lado da minha usada como cativeiro, e talvez tenha alguém lá no cativeiro sim... Não desse sequestrador que pede dois milhões de resgate, mas do sequestrador que quer nos levar inteiros para o inferno. É por isso que São Paulo nos diz que não podemos fazer mau uso da liberdade. Nós fomos comprados. O nosso preço já foi pago. Nós todos aqui estávamos sequestrados. O Senhor nos resgatou."

Padre Léo

Trechos da pregação: "Nem tudo me convém".

Para adquirir essa pregação, clique aqui.

*Whashington Olivetto, um dos maiores publicitários do Brasil, responsável por algumas da campanhas publicitárias mais importantes do país. 

Para entender a história do sequestro de Olivetto, clique aqui.

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